Afinal de contas, o que é uma comunidade colaborativa?

Sobre a GCREW

O GCREW nasceu para dar espaço e apoio a mulheres nos seus percursos de vida, seguindo um princípio fundamental: TROCA. Não, não estamos a falar de dinheiro. A troca que existe numa comunidade pressupõe empatia e amizade, entre-ajuda e colaboração. Tens alguma ideia de como funciona uma comunidade colaborativa?

(o texto que se segue é longo, mas está dividido por títulos para facilitar a tua experiência de leitura)

Comunidade colaborativa: o que é?

Antes de falarmos do conceito de “comunidade colaborativa” é importante esclarecer que para tal é necessário existir de ANTEMÃO uma comunidade. Ora uma comunidade é um grupo de pessoas que já por si efetua trocas mas de um ponto de vista social, isto é, na partilha de ideias, afetos, vivências comuns. Não basta porém serem vizinhos e acenarem pela manhã ou trocarem uma palavra ou outra, uma comunidade implica um relacionamento, para além do cordial, solidariedade, entre-ajuda! Uma comunidade tem como base a criação de laços entre pessoas, se estes não existem, se esta TROCA não existe, então não temos uma comunidade, temos um grupo de pessoas apenas. 

Uma comunidade colaborativa é, por conseguinte, o que uma comunidade é, por base, mas para além dos laços de amizade, da troca de entre-ajuda, empatia, respeito e compreensão, também se trocam serviços e bens.

Em termos mais concretos, uma comunidade colaborativa pretende ser para além de uma rede de apoio, um espaço onde o dinheiro não existe, onde a forma de contribuição para o desenvolvimento pessoal ou profissional de cada passa pela troca de conhecimentos. Por exemplo, uma comunidade onde duas pessoas que possuem um negócio e ambas precisam de um serviço específico que a outra pode oferecer, podem trocar esses serviços entre si, ao invés de trocarem dinheiro. 

Claro que numa sociedade capitalista, onde a moeda de troca é o dinheiro, trocar serviços não se aplica naturalmente a tudo. Não podemos ir a um supermercado e trocar serviços, não podemos pagar uma renda com troca de serviços (pelo menos por enquanto ainda não). No entanto entre a comunidade, é válido, trocar-se o que se tem por algo que se deseja em troca, e que outro tenha à disposição. 

Uma comunidade colaborativa é uma junção dos dois conceitos explicados acima, isto é, uma rede de apoio, segura e livre de julgamento, entre pessoas que partilham laços de amizade entre si, que se apoiam e entre-ajudam no seu desenvolvimento pessoal e profissional. 

Se temos dinheiro qual o valor das trocas?

Antigamente, quando o dinheiro não era meio de troca, as pessoas para sobreviverem trocavam entre si bens, serviços, o que produziam nas suas terras, o que conseguiam criar com as suas mãos, era um meio de troca válido, mais desequilibrado talvez, mas válido. O dinheiro veio facilitar as trocas feitas, passando a ser o meio oficial, no entanto ao embarcarmos nesse processo perdemos o contato com o potencial das trocas e do seu valor.

As trocas efetivamente podem comportar em si um valor imensurável. Pensemos em algo tão simples quanto a contratação do serviço de uma fotógrafa, imaginemos que para ter um portefólio da nossa marca precisamos de fotografias com qualidade mas não temos o orçamento necessário para tal investimento. Num mundo de trocas é possível oferecer ao profissional que efetua os serviços de que precisamos algo que lhe traga igual valor. Se as condições se apresentarem, ambos recebem, em troca da sua mão de obra, algo de que necessitam. Agora coloca-se a grande questão: mas se no mundo inteiro o meio de troca que prevalece é a moeda, e se não podemos trocar serviços no supermercado, como é que vamos comprar comida ou pagar contas com a troca de serviços?

Pois bem, a resposta é simples, não vão. A troca de serviços é relevante de uma perspectiva  de investimento no negócio, para o melhorar em algum aspecto de forma a que este se torne mais apelativo para um público que irá efetivamente pagar, em dinheiro, pelo mesmo. 

As trocas de serviço, tal como as parcerias comerciais, são uma forma equilibrada, de em conjunto com outras empreendedoras, criar/acrescentar valor  aos seus negócios, quando não se tem margem financeira para grandes investimentos, este é um investimento de tempo e mão de obra, que bem calculado, pode converter em lucro real, monetário, e aí sim pagar as tais contas. 

Então para que precisamos de uma comunidade colaborativa?

Uma das melhores formas de desenvolver capacidades e ideias é através do contato com outras realidades. Tal só acontece quando saímos da nossa zona de conforto.

Não quer dizer com isto que devemos ou temos que descartar as nossas amizades para começar do zero, claro que não, quer apenas dizer que podemos e devemos acrescentar novas. Se pensarmos num âmbito profissional, normalmente, é nos incutida a necessidade de fazermos uma formação ou curso, para aprender algo, mas para aprender coisas diferentes não vamos estudar o mesmo curso certo?

Uma comunidade colaborativa tem o mesmo papel na vida, isto porque os nossos amigos ou família nem sempre têm todas as respostas, e numa comunidade (tal como um curso novo) temos acesso a um grupo grande de pessoas, com diferentes valências, com as mesmas necessidades (e esta talvez seja a principal vantagem). Encontrar pessoas com as mesmas necessidades, pelo menos num plano geral de apoio e compreensão, seja na vidas pessoal ou profissional, é um ponto importante na criação de laços, entre pessoas.  

Uma comunidade colaborativa acaba por funcionar como uma espécie de ecossistema, em constante rotação. Uma pessoa “entra”, faz amizades, troca ideias e serviços, retira o que necessita, passa o seu conhecimento ao próximo, e possivelmente chegará uma fase em que a comunidade deixará de ser necessária no seu processo pessoal. Isto acontece-nos até com os nossos melhores amigos de uma vida. Por isso a comunidade deve ser encarada como um casulo, onde temos a máxima proteção e apoio para crescer, para mais tarde poder voar sozinhas. 

Para que serve uma comunidade colaborativa? Para teres o apoio emocional, compreensão e solidariedade e ferramentas que necessitas, seja qual for o projeto de vida em que estás.

Como é que o GCREW serve o propósito de uma comunidade colaborativa?

Como foi explicado inicialmente, uma comunidade colaborativa, pressupõe a existência dos valores de base de uma comunidade, isto é, a base não é “interesseira” ou apenas focada na evolução profissional ou pessoal de cada um, pelas trocas de bens ou serviços. É necessário estar presente o fator solidário, que só é possível quando se criam laços emocionais entre as pessoas. Mais uma vez, um grupo de pessoas sem qualquer ligação, não é uma comunidade, é apenas um grupo de pessoas e por este motivo a base inicial de atuação do clube passa pela criação desses mesmos laços. 

Apesar de o fator profissional fazer parte do que nos une, quando temos interesses ou áreas de foco em comum, muitas vezes estamos demasiado fechados na caixa profissional, como algo que nos define tão profundamente, que acabamos por não conseguir sair desse espectro, e para criar comunidades fortes é necessário ir mais além, é necessário criar a tal solidariedade de grupo, empatia, que mais naturalmente surge quando existe ligação entre as pessoas.

Uma forma de criar esses laços com alguém passa por nos colocarmos numa posição mais vulnerável, pela exposição de algo mais profundo e íntimo. Relações: terão sempre o mesmo grau de envolvimento que colocamos na interação, se a entrega é superficial, o relacionamento dificilmente sedimenta. Tendo isto em conta, os eventos no GCREW focam-se muito na componente da partilha de experiências, ideias, situações de vida, no fundo os tais episódios mais íntimos e vulneráveis que nos facilitam a construção de pontes com outras pessoas. Aqui entra a questão da empatia, do reconhecer o outro e a sua opinião ou sentimentos, a busca pelo olhar de aceitação ou compreensão de alguém que já passou pelo mesmo. Tal acontece numa estrutura onde o tema aproxima o grupo, uma conversa informal, fora do espectro profissional, que acaba por trazer ao centro pontos em comum entre as pessoas.

Em resumo: tudo começa na criação de laços, e esses laços só podem ser formados com consistência, se mantivermos os contatos, se continuarmos a discussão, se aparecermos! O GCREW oferece-te o espaço para que tal seja possível!

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