O que deves saber antes de criar uma comunidade online?

Hoje em dia está na moda a ideia de comunidade online, todos queremos criar uma comunidade como forma de atrair e manter pessoas associadas e conectadas com os nossos negócios. Sim! Com os nossos negócios, porque o conceito de comunidade hoje é utilizado neste âmbito e não no sentido de criar amizades apenas, o que atenção, é super ok, mas será que vale a pena entrar na moda só para fazer uns trocos? Será que precisas mesmo de uma comunidade? 

(o texto que se segue é longo, mas está dividido por títulos para facilitar a tua experiência de leitura)

Tens um negócio e estás a considerar começar uma comunidade? Antes de saltares para a ação tenho algumas dicas que gostaria de partilhar contigo. Sim, é verdade que hoje uma grande parte dos negócios, que funcionam num formato online, se apoiam em grupos ou comunidades digitais (como lhes chamam) para manter o contato com a audiência e angariar potenciais clientes e é de facto uma estratégia que funciona. Mas será que faz mesmo sentido criares uma comunidade tua? Deixo-te em baixo um grupo de questões para refletires que poderão ajudar-te a tomar esta decisão!

1. Porque quero criar uma comunidade?

Esta é a million dollar question, na realidade, e vamos já começar por aqui. Ok, está na moda criar comunidades, no âmbito das nossas atividades profissionais e eu diria até, que hoje em dia, o contato direto com as pessoas, que seguem e compram o nosso trabalho, é fundamental, é o holy grail do marketing, no entanto, nem todos fomos talhados para o efeito e gerir uma comunidade exige tempo, empenho e energia. Para o GCREW, o ponto fulcral do projeto é a comunidade, e como já escrevi muitas vezes, uma comunidade tem como base a criação de laços e, no meu entender, de uma perspetiva desinteresseira, tem que existir um win-win para todos, e acima de tudo, as pessoas têm que sentir que não é mais um grupo no whatsapp ou telegram ou outra plataforma quaquer a encher de spam a sua caixa de mensagens. 

Por este motivo, questiona-te: O que vai trazer ao meu negócio a comunidade? Tenho mesmo interesse em criar laços com estas pessoas? O que é que a minha comunidade acrescenta face às mil comunidades que já existem?

2. Tenho tempo para gerir uma comunidade?

Uma comunidade à séria dá trabalho, isto porque não é apenas criar um grupo, pedir às pessoas para entrarem e deixar a coisa fluir. Nope. Aliás pode ser, claro, mas aí não tens uma comunidade, tens um grupo de pessoas. Ora se o teu objetivo é criar uma comunidade, no verdadeiro sentido da palavra, é preciso criar engagement, é necessário mais que engagement: criar laços. O motivo pelo qual a maioria das pessoas retorna a um grupo, reunião, atividade, etc, é o fator pessoal, amizade, laços, conexão.

Estabelecer laços entre as pessoas, num contexto digital, não é fácil, exige dedicação e criatividade, perceber a nossa audiência, as suas necessidades, as suas dores, o que as faz vibrar e conectar umas com as outras, assim como compreender que existe sempre o fator externo, o fator humano, que muitas vezes não depende dos nossos esforços, as pessoas podem simplesmente não se envolver na comunidade e não há nada que tu possas fazer quanto a isso, se não continuar a tentar. Posto isto revê estes pontos: O quanto sei sobre a minha audiência? Tenho ideias para dinamizar a comunidade? Tenho paciência para desvendar as pessoas que estão comigo?

3. O que é a dimensão ideal de comunidade para mim: 10 ou 100?

Como referi acima, uma comunidade pressupõe a criação de laços, entre os seus membros, e contigo, que enquanto dinamizadora, serás sempre a cola e a ponte entre os elementos da tua comunidade. Mas é importante que compreendas as limitações do contexto. Um grupo de 10-20 pessoas e um grupo de 20-50/50-100 não são a mesma coisa. A minha perspectiva pessoal sobre o tema é que não é possível criar uma comunidade, no verdadeiro sentido da palavra, com grupos grandes, 12 pessoas é o máximo, dos máximos, para garantir uma troca com qualidade e um espaço de diálogo onde as pessoas possam realmente conhecer-se e criar laços.

Mais uma vez, relembro, estamos a falar de criar uma comunidade e não um grupo de pessoas/clientes que servem apenas interesses financeiros (mas isto vem no ponto seguinte). Seja como for tem em consideração o tempo e capacidade que tens para trazer valor para a tua comunidade. E pergunta a ti mesma o que realmente queres: uma comunidade ou uma audiência? É que são coisas diferentes e é ok quereres a segunda mas sê honesta contigo mesma. Podes ter um grupo de 100 pessoas, onde possivelmente irás faturar mais, mas será que entregas o mesmo valor? Será que consegues conectar-te com essas pessoas da mesma forma? E as pessoas entre si? 100 pessoas não é uma comunidade é um grupo, uma audiência. Deixa isto claro para as pessoas que se juntam a ti, se o teu critério não for a conexão.

4. Em que canais vou comunicar com a minha comunidade e com que frequência?

Uma comunidade precisa mais do que grupos no whatsapp e telegrams. Se o  teu verdadeiro objetivo é conhecer e entregar valor a estas pessoas, que confiam no teu trabalho, precisas encontrar formas eficientes de dedicar tempo às mesmas. Seja em formato video call ou até em meetups pontuais no mundo real. Não descures o poder do face-to-face e cria formas de manter um contato regular e mais próximo com a tua comunidade. Associar uma cara, voz, expressão a um nome, ajuda na criação da tal conexão, algo que é altamente benéfico para ti, assim como para quem faz parte do grupo, por isso recomendo-te explorar as diferentes opções que tens no digital mas também no mundo “físico”. Acima de tudo sê criativa, a tua comunidade irá agradecer.

5. O meu foco são as pessoas ou os números?

Nós sabemos que o dinheiro é altamente importante, precisamos deste para sobreviver, mas quando falamos de comunidade, e considerando todos os pontos anteriores, é hiper importante pensares em que formato a tua comunidade vai surgir. Gratuita? Paga mas já dentro de um produto que vendes? Paga à parte?

As pessoas só vão pagar, e pagar o preço que pedes, se confiarem no teu trabalho e se perceberem o valor que trazes para as suas vidas. Por esse mesmo motivo, se vais fazer uma comunidade com um valor de entrada considera bem a tua entrega a este grupo, se realmente estás all-in na comunidade ou se é apenas mais um formato para ganhares uns trocos.

6. Serei a pessoa ideal para gerir uma comunidade?

É ok admitir que não somos a “people person”, não temos que ser todos extra sociáveis e prontos para liderar um batalhão. Para algumas pessoas esse fator é complexo, por isso te pergunto isto, precisas mesmo de uma comunidade para o teu negócio? Vai fazer assim tanta diferença face ao que já fazes ou à forma como comunicas? As modas não servem a todos. 

Se me perguntares se faz sentido criar uma comunidade, eu vou dizer mil vezes que sim, se o contacto e a proximidade com pessoas for uma prioridade para ti e se valorizas realmente a criação de uma ligação com os teus clientes, como forma de entrega de um melhor serviço e porque, let’s face it, as pessoas valorizam imenso a proximidade e não há nada de errado em criar laços de amizade com pessoas que são também clientes. No final do dia uma comunidade só faz sentido quando existe envolvimento das duas partes, caso contrário não tens uma comunidade, tens um grupo de pessoas e grupos desses existem aos pontapés, silenciados nos telemóveis que andam por aí. 

Notas Finais

Como nota final quero apenas reforçar que, apesar de ser trabalhoso, gerir e interagir com uma comunidade, é em si só uma recompensa constante e no final do dia também se irá materializar no teu sucesso enquanto profissional. Acredites ou não… o boca-a-boca ainda é das melhores ferramentas de marketing (não apenas o que fazes no instagram). Seja como for e cries a tua comunidade como criares, lembra-te sempre de que a tua comunidade só o será se tu realmente te dedicares à mesma. 

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