Porque é que precisamos de podcasts de mulheres?

Podcasting não é só uma trend, é talvez das ferramentas mais poderosas que temos ao nosso alcance para promover e divulgar uma mensagem. E a parte melhor é que qualquer pessoa pode criar um fácilmente, sem depender de terceiros e gratuitamente. Mas porque é que precisamos de mais podcasts de mulheres?

(o texto que se segue é longo, mas está dividido por títulos para facilitar a tua experiência de leitura)

Já ouviste falar de “gender gap”? E “gender gap” no trabalho, saúde, educação, política?

O “gender gap” ou em português literal, espaço entre géneros, é tudo o que separa homens e mulheres, nos seus direitos e no acesso a oportunidades, em suma a forma como homens e mulheres são tratados em sociedade, presentemente com muitas diferenças, e em algumas regiões do mundo ainda profundamente acentuadas.

O gender gap pode ser verificado, ao nível do acesso à educação, à saúde, a oportunidades de trabalho e económicas, segurança, assim como a própria representatividade da mulher seja num contexto político, empresarial como informativo ou histórico. 

Se pensares bem, na forma como a nossa sociedade está estruturada, para além dos altos cargos em empresas mas não só, serem maioritariamente ocupados por homens, também os cargos políticos, em espaços de informação e até os opinion makers são homens. 

Alguns fatos atuais sobre “gender gap” segundo o Global Gender Report 2020:

  • As mulheres conseguem apenas 25% dos altos cargos/gestão disponíveis no mercado; 
  • Em termos de economia, estimam-se 257 anos necessário para fechar o gap entre gêneros;
  • Globalmente, apenas 55% das mulheres estão envolvidas no mercado de trabalho, face a 78% de homens;
  • Em 72 países no mundo as mulheres ainda são barradas ao tentar abrir contas bancárias ou obter crédito em seu nome.

A história do homem

Esta falta de representatividade feminina em posições de decisão e importantes para o curso dos países e do mundo, é uma consequência de uma estrutura patriarcal dominada pela figura e pensamento masculinos, que notoriamente marcaram a forma como o mundo é hoje e a forma como a figura feminina é percebida, existe e é retratada, ao longo da história. 

No livro 1984, George Orwell (autor) descreve um mundo distópico onde um governo ditatorial molda a informação a seu favor, ao ponto de adulterar o passado, para se favorecer, eliminando a existência (não só física mas em registo) de todo o tipo de informação, consoante o que lhe é mais conveniente, o que por si criou um gap (embora desconhecido pelos seus habitantes) da real ou completa verdade sobre a sua existência. Neste conto de Orwell, as implicações da informação ser passada pelo lado “forte” tinha implicações brutais na forma como a sociedade estava organizada.

Embora obviamente, isto seja ficção, e de uma perspetiva extrema, a realidade é que a marca de um mundo comandado por homens, criou de alguma forma um vazio, uma omissão, de pedaços da história, da nossa história, nossa mulheres, e o nosso contributo e feitos, que hoje aos poucos, vão sendo recuperados, mas que ainda nos deixam marcas, da praticamente inexistência de contributo de mulheres para a evolução da sociedade. 

Mas a presença feminina, e o abalo nos registos da sua existência e contributos, ainda é um risco que corremos nos dias de hoje, principalmente quando continuamos a não estar representadas devidamente (em números), não só no panorama político mas também no panorama “informacional”, uma vez que os principais “opinion makers” ainda continuam a ser, na sua grande maioria, homens. Mas o que é que isto tem a ver com podcasts de mulheres?

O vazio de informação

O objetivo de colmatar o gap informativo, seja na história ou nos meios de comunicação, não é o de aniquilar a figura masculina ou remover o homem da esfera pública, mas sim de criar espaço, em igual proporção, para a visão feminina, para as suas ideias, expertise nas diferentes áreas, e por fim, mas não menos importante, para as questões, vividas em exclusivo pelas mesmas, e que sobre as quais temos uma perspetiva única.

Esse gap, ainda tão presente nos dias de hoje, está imensamente marcado nos canais tradicionais de informação, e uma vez que estes, são maioritariamente geridos por homens, o desequilíbrio perpetua-se. 

Mas tal como no brilhante 1984 de Orwell, contornar o sistema também passa por reescrever o mesmo, por tomar parte ativa na resolução e não apenas apontar as suas falhas. Embora identificá-las seja o primeiro passo a caminho da solução. É aqui que entra a criação de podcast de mulheres, como uma forma de tomar parte ativa na criação de representatividade.

A força de uma voz (literalmente)

Se a representatividade pode ser criada, então cabe-nos a nós (mulheres) dar o primeiro passo e reconhecer a importância e poder de assumirmos este papel, de difusoras de informação. 

Aqui entra o poder das plataformas online de comunicação de uso “livre”, como é o caso dos blogs, das redes sociais e do podcast. 

As plataformas de podcast são hoje uma espécie de Netflix do áudio, no que toca à diversidade, existem milhares de programas de podcast online e milhões de episódios publicados, com a vantagem que qualquer um pode carregar nas mesmas os seus conteúdos. 

Criar um podcast amador, não tem custos, embora obrigue ao acesso à internet e computadores, o que pode comprometer, obviamente, a sua disponibilidade para uma grande % da população feminina. Mas para a % de mulheres que têm acesso a estas ferramentas, pode começar um podcast hoje.

A ferramenta de podcast está em expansão sendo uma excelente oportunidade a do momento de criar um programa e beneficiar do crescente interesse por parte da população neste formato. Para além disto é um canal versátil, que permite criatividade, entretenimento, e ser mais do que “one person show” mas o “show”.

É por estes motivos e outros mais um canal essencial para difundir a voz da mulher e a sua visão e criar a tal representatividade das especialistas em história, ciência, economia, tecnologia, política, cultura, desporto, saúde, educação, entre outros muitos temas, cujos os peritos não são apenas homens.

A população feminina conta como 50% da população mundial, e são inclusive a maior % de estudantes universitários em Portugal desde 1980, logo especialistas ou opinion makers, de todos os temas e mais algum, com ou sem licenciaturas, é algo que não faltará na comunidade feminina. Mas este é o tempo de sermos nós a criar as condições para que essas vozes não continuem no anonimato e por isso precisamos de mais podcasts de mulheres.

Como crio representatividade no meu podcast

Tu podes mas não tens que falar de direitos das mulheres ou política para estares a contribuir para o fechar deste gender gap na informação. Não só como mulher, mãe, mas também como profissional, tens uma opinião a dar, tens uma perspectiva para partilhar. Podes não ser tu a comunicar as tuas ideias e visões, mas as tuas convidadas podem servir esse propósito, de comunicar um tema, uma perspectiva, uma visão.

Importante a reter é que ao criares este formato estás a “catapultar” a mulher para o palco, estás a dar voz a outras muitas vozes que nem sempre têm espaço para serem ouvidas. Estás literalmente a preencher um vazio. 

Dou-te um exemplo prático desta ideia, de representatividade. No podcast GCREW, lançámos uma edição especial de verão onde focámos problemáticas sociais emergentes ou intensificadas pelo aparecimento do vírus covid. À primeira vista pode parecer um tema não muito apelativo, talvez porque as perspetivas que tens sobre estes temas sejam muito académicas ou de comentadores especialistas com um registo mais tradicional ou estás só farta do tema, mas garanto-te, ao ouvires 10 minutos de um episódio deste volume, vais compreender que ouvir uma mulher a falar destes temas é completamente diferente de ouvires o comentador “habitual” dos programas de televisão. Melhor ainda, vais perceber que existem mulheres especialistas em áreas a que talvez não prestes tanta atenção e que têm uma mensagem muito importante a passar. Vais perceber também que a forma como a informação nos chega, e chega até ti, vem num formato muito masculino e que obviamente “lacks the woman touch”. E representatividade, no sentido de preencher “o tal” gender gap, é isto mesmo, criar espaço para opiniões, formas de comunicar e formatos diferentes, e disponíveis de forma transversal, a ambos os géneros. 

Podcasts de mulheres querem-se!

Podcasts de mulheres são precisos hoje! Porquê? Porque sempre que tu ou qualquer outra mulher utiliza a sua voz, estás, estamos, a usar a nossa voz por todas as mulheres que não o podem e não puderam fazer. 

Mais do que isso, estamos a informar, outras mulheres, não só sobre sociedade e cultura ou entretenimento, mas sobre nós mesmas, sobre o que sentimos, vivemos e passámos, lá atrás na história. 

Uma das maiores armas de empoderamento feminino é a informação, uma das melhores formas de informar outras mulheres e de passar este sentimento de empoderamento, é partilhando o que nós descobrimos sobre nós (universo feminino) e sobre o mundo, o nosso mundo. 

Apesar dos efeitos da globalização e das tecnologias, continuamos todos muito focados na nossa própria realidade, no que acontece sobre o nosso nariz, o que muitas vezes poderá criar a percepção errada de que tudo está bem e de que estas diferenças, este G-A-P entre géneros, não existem. 

Esta percepção ou falta dela, acontece, porque no lugar da informação, existe um vazio, esse vazio é nossa obrigação, nossa mulheres empoderadas, informadas, de preencher e comunicar a outras mulheres. 

Citando a frase poderosa de Malala Yousafzai, e que remete para o princípio fundamental deste clube, de entreajuda, colaboração e comunidade: “We can not all succeed when half of us are held back”. 

Não podemos ser bem sucedidas, quando metade de nós (mulheres) ainda está lá atrás. 

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